10/08/2020

Campanha do CICV alerta sobre profissionais vulneráveis frente à Covid-19

Além de ser o segundo país no mundo em número

Equipe de saúde conduz maca com paciente no Hospital de Campanha do Anhembi em São Paulo. Foto: Tiago Queiroz/CICV

Além de ser o segundo país no mundo em número de contaminados e de óbitos por Covid-19, ultrapassando 100 mil mortes, o Brasil também é um país com elevados casos de profissionais de serviços essenciais afetados pelo novo coronavírus. Com o objetivo de combater a estigmatização e fomentar o respeito e o apoio àqueles que estão na linha de frente no combate à pandemia, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) lança a campanha “Valorize o Essencial”.

“Reconhecer e valorizar o trabalho das mulheres e homens que estão trabalhando na resposta à pandemia é crucial para que as comunidades superem esta crise sanitária”, afirma a chefe da Delegação do CICV para o Brasil e os países do Cone Sul, Simone Casabianca-Aeschlimann. “Esses profissionais não apenas salvam as pessoas; também garantem a continuidade dos serviços que são essenciais a todos nós, como saúde, assistência social e educação. Eles merecem todo nosso apoio e solidariedade.”

Em seu dia a dia de trabalho desde o início da pandemia, os profissionais estão expostos a alto risco de contaminação. Dados do Ministério da Saúde, publicados no boletim de 6 de agosto sobre a COVID-19, mostram que 232.992 profissionais de saúde foram diagnosticados com coronavirus. Desses, 196 morreram oficialmente por Covid-19 e outros casos estão sendo investigados. Mas o número pode ser ainda maior. Segundo o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), o total de casos confirmados entre profissionais da categoria é de 32.279 e o número de óbitos chega a 334 apenas entre profissionais de enfermagem.

“As pessoas só descobrem os profissionais de saúde por conta da pandemia. Eles não são valorizados, mas continuam trabalhando. Para além da pandemia, esses profissionais continuam sendo aqueles que estão na frente salvando vidas, e não estão sendo valorizados.” O desabafo é da médica Roma Napoli, de Duque de Caxias (RJ). Com 33 anos de profissão, ela atendia pacientes de Covid-19 quando foi contaminada com o novo coronavírus e teve de ser internada por sete dias. “Todos nós somos muito vulneráveis. Nunca convivemos com uma doença tão severa, tão fatal, emocional e fisicamente.”

De fato, no que diz respeito aos médicos, por exemplo, pesquisa Datafolha divulgada em julho mostra que eles se tornaram os profissionais de maior credibilidade no Brasil em 2020, com 35% de confiança da população. A mesma pesquisa mostra que, embora 51% dos brasileiros acreditem que o trabalho do médico tem recebido a valorização merecida, a população avalia as condições de trabalho oferecidas aos médicos como regulares, ruins ou péssimas.

Embora muitas comunidades tenham demostrando o agradecimento aos profissionais da saúde, em outras há relatos preocupantes de assédio e violência contra aqueles envolvidos na desafiadora resposta à COVID-19. O médico Carlos Moreira afima que, se por um lado se sente respeitado por trabalhar em um hospital de campanha, há também preconceito. “Algumas pessoas, inclusive familiares, sabem que minha esposa e eu somos médicos e têm se afastado”, lamenta. Em tempos de pandemia ou não, ataques a profissionais de saúde, assistência social e educação são muito mais nocivos do que parecem. Afetam a comunidade como um todo, ao deixar a população menos assistida.

“Com a pandemia, todos aprendemos a reconhecer quem e o que é essencial: a saúde de todos nós, os serviços essenciais, os profissionais que estão dia e noite trabalhando para ajudar quem precisa vencer essa batalha. O essencial sempre fez parte da nossa história e faz parte do nosso dia a dia”, sintetiza a responsável técnica do programa Acesso Mais Seguro para Serviços Públicos Essenciais do CICV, Lívia Schunk.

Vertentes – A campanha “Valorize o Essencial” tem duas vertentes. A primeira é dirigida aos profissionais e gestores desses serviços, em especial em contextos afetados pela violência, que são parceiros do CICV, e traz dicas práticas de autocuidado e gestão do estresse. A segunda é voltada à população em geral e busca fomentar a empatia para com esses profissionais, promovendo o apoio às equipe dos serviços essenciais por meio de histórias e depoimentos. Mais informações no site oficial da campanha.

Como valorizamos os profissionais na prática – O CICV já observava a importância de apoiar e proteger na prática os serviços públicos essenciais em contextos de violência armada no Brasil. A organização avalia que a violência não vitima apenas quem é ferido ou morto por episódios como tiroteios. Se um hospital precisa fechar as portas e deixar de atender os pacientes ou se uma criança tem aulas suspensas por episódios violentos, isso também representa um impacto humanitário direto da violência naquela comunidade. Por esta razão, o CICV adaptou a metodologia Acesso Mais Seguro para Serviços Públicos Essenciais (AMS).

Desde que foi implementado, o AMS já beneficiou cerca de 4,5 milhões de pessoas no Brasil e treinou 28 mil profissionais, atuantes em 1,3 mil unidades de serviços em seis municípios brasileiros: Duque de Caxias (RJ), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ) e Vila Velha (ES). É um exemplo de valorização dos serviços essenciais na prática (leia mais sobre o AMS aqui).

Durante a pandemia, o CICV promove ações para reforçar o respeito e os cuidados com a saúde física e mental dos profissionais, especialmente nas seis capitais brasileiras que têm parcerias na implementação da metodologia do CICV “Acesso Mais Seguro”. O apoio à prevenção da COVID-19 entre os trabalhadores do Serviço Público Essencial é prestado, também, por meio de doações. O CICV forneceu equipamentos de proteção individual (EPIs) e álcool em gel para as cidades parceiras do AMS.


Fonte: Ascom - Cofen



  • Licitacao2-207x115